quinta-feira, 9 de setembro de 2010

2 Spanish Poker Tour Castellon - main event

Ou como ser owanado todos os dias da semana, e ao fim de semana também. Mas vamos por partes.

Chegamos a Castellon e o casino parecia apenas um grande barracão. Pequeno para alguém que ainda à umas horas estava em Barcelona, mas acolhedor e quase "familiar".

No primeiro dia nada de poker... acabei por conhecer um jogador húngaro (de que vos vou falar mais à frente) e os cash games já abriram muito tarde, com o cansaço acumulado acabei por não jogar. Descanso, e dia um do main event, aí vamos nós.

Dia 1 e último. O torneio foi terrível. Fiz um esforço terrível para me manter concentrado, tomar atenção a tells físicas e acima de tudo betsizings (que é algo em que não costumo reparar, mas esta é uma enorme fonte de tells e é algo que vou voltar a fazer no futuro).

A primeira mão que joguei foi a terceira do torneio abri ATo, um call e um squeze. Não queria inventar antes de saber o que se estava a passar e foldei. A segunda foi quarenta minutos depois, um squezze gigante num pote que foi aberto utg e levou 6 calls, onde quis usar a imagem para roubar o pote com uma aposta de cerca de 2/3 do pote, mas que ainda assim parecia gigante e muito forte - mas fiz um erro: esqueci-me que o original raiser tinha tendencias calling station e, bem, depois do primeiro call já ninguém larga... Fiz check fold num flop.

Neste momento comecei a perceber o que se estava a passar... um nit depois de mim (no caso uma nit, que até acabou por fazer final table), posição sobre um puto novo que sabia o que estava a fazer mas overall fraco/previsível, antes dele dois jogadores recreacionais, e na outra ponta da mesa um jogador muito bom (acabou por ganhar o side event de 300€), e dois bons jogadores mas sobre os quais senti um edge.

Durante mais uma hora não ganhei mão nenhuma. Joguei dois pares para set mining que falharam (em spots que outros gajos floparam realmente monstros...), uma ou duas mãos em LP e falhei tudo. Ao fim desse tempo fiz o meu grande erro do torneio.

O espanhol da outra ponta da mesa, que me pareceu bom jogador mas sobre quem senti que tinha um edge abre 4 bbs e eu faço call de 66 no botão. HU, eu faço call a uma pot sized cbet em KJ5 com a read que aquele era o sizing de bluff e não valor... e no turn ele aposta-me 600 para um pote de 2.000 quando bate um J. E eu congelei. Achei que tinha sempre a melhor mão, mas que dar o call aqui era perigoso porque lhe estava a dar as odds certas pa drawar (QT, turned flush draw, mesmo gutshots tipo AQ e assim). Raisei. Para 1700. E ele insta 4.000. Ele aqui faz uma coisa doente: vai beber água. Mas tão tenso, tão nervoso, tão preocupado que eu quis dar o call. Mesmo sabendo que no river tinhamos uma PSB left. E estavamos no terceiro nível de um torneio de 1k€.

Para quem não sabe, a estratégia de beber água vem no livro Kill Everyone, um dos livros que tem estado na moda nos últimos meses. E que o jogador em questão provavelmente leu. Como é um movimento natural, mostra descontracção e induz folds - se virem muito poker na TV (especialmente torneios), vão vê-lo algumas vezes - mas nunca com a tremideira com que este espanhol o fez. mas eu foldei. E ele esfrega um bluff monstruoso.

Levantei-me, fui beber uma água, parei 5 minutos. Percebi logo que o erro estava no sizing, que a read estava certa, e que tenho de ser capaz de meter tudo em jogo em spots que tenho tanta certeza como tinha. E que o pensamento "mas era o segundo/terceiro nível" faz parte do passado. É que no Aussie millions perdi um pote muito grande a pensar exactamente o mesmo no segundo nível (sick life).

Em mais uma hora ganhei dois potes, bati em meia dúzia de paredes e acertei uma série de reads quando não estava nas mãos. No entanto, nem tinha jogo nem conseguia soltar-me e começar a lagar como acho que a mesa em que estava pedia.

Até que passada mais uma hora sou eliminado pelo jogador que me fez o bluff lá de trás. Depois de ter dado uma piçada num spot em que fez um huge call (em quantidade de fichas) de 66 vs. um velho que ou tinha AA ou tinha AA, e de estar a jogar num estilo super-lag mas que até estava a resultar, surge esta mão, ainda o rapaz está "on fire".

Ele abre 4.5 bbs utg (nunca hei de perceber os sizings pré-flop do senhor), e eu dou call no botão de KQo. Num flop K53 com flush draw (3 e 5 do mesmo naipe), ele volta a apostar muito pequeno. Achei que ele ia shovar depois do meu raise uma percentagem elevada de vezes, mas achei que o range de semibluf era muito grande em relação ao range de valor (tipo Kx com flush draw + top pair, flush draw para o nuts com over e gutshot, vindo deste senhor até naked flush draw me pareceu possível que ele quizesse fazer bet/3bet flop). E fui com a minha read. Raisei flop, e ele parou 30 segundos e shovou. Não gostei quando ele shovou, os shoves em bluff/semibluff costumam ser mais insta / o jogador não fica a olhar fixamente para nós com cara de gozo.

Mas... Eu tinha uma read. E tinha decidido que ia com ela. Desse por onde desse - e fui. A parte chata foi ele ter 555 para trio flopado. Senti-me owanado, e que mais uma vez saí de um torneio grande demasiado cedo... mas por agora nada a fazer - e para a próxima há de correr melhor. E o edge ainda lá está, apesar de tudo ter corrido mal neste torneio.
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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

2 Live poker @ spain

Saímos de Portugal numa terça-feira, rumo a Espanha. A ideia era grindar o máximo possível live poker na zona de Valência, e jogar o main event da etapa de Castellon do Spanish Poker Tour pelo meio, aproveitando ao máximo a experiência para ganhar quilómetros no que toca a live poker (onde tenho muito poucos) e vir da viagem com mais dinheiro do que aquele com que parti. O resultado... bem...

Começamos por chegar a Valência e fomos buscar um carro alugado a partir de Portugal. Apesar de termos estado quase uma hora para conseguir levantá-lo, acho que foi das melhores opções que tomámos ao longo de toda a viagem - por 15€/dia ficamos com transporte, e não nos voltamos a chatear com táxis, viagens pedonais nocturnas e outras coisas que tal.

De Valência seguimos para Puzol, uma cidade perto de Valência e onde só íamos dormir; a ideia era passar os três dias antes do torneio a grindar os jogos na região, conhecer os 3 casinos da zona e fazer a boa vida de turista que um grinder merece depois de passar 5-6 horas por dia colado ao monitor.

Balde de água fria. Um dos casinos da região, o Monte Picayo, estava fechado. Descobrimos às 6 da tarde depois de fazer uma viagem rápida (era a 2 minutos do hotel), e foi um choque. Fomos a correr para o hotel, e os nossos medos confirmaram-se; não há poker bancado no casino de Valência, e em Castellon os jogos podem abrir ou não abrir, mas nunca mais do que uma mesa. Oh My God.

Fact check; temos carro; vontade de jogar poker e demasiado tempo livre. E Barcelona a 300 quilómetros... e sim, foi tão rápido quanto isto - quando demos por nós estávamos em Barcelena.

E é outro mundo. Entramos no lobby e os nosso olhos cintilaram de alegria, ao ver acção em mais de 15 mesas. Havia de tudo, do mundialmente famoso 5/10 PLO de Barcelona ao 1/2 NLH. Na primeira noite havia jogos de 1/2 a 5/10, e eu fiz uma sessão mais ou menos longa em 2/5. O set up da mesa era engraçado, com um big drooler, dois ou três óbvios regs e alguns weak-tight-randoms que até tinham ideia do que se estava a passar. Não tive nenhuma mão grande (quer dizer, a melhor mão que vi foi um 99 que joguei para set mining), e mesmo combos de high cards (aka broadways) foram muito poucos, mas isso permitiu-me ser muito respeitado em algumas jogadas mais criativas que fiz (ou tive mesmo sorte e nunca ninguém acertou um flop contra mim). Acabei o dia down umas 10bbs, o que até nem foi mau tendo em conta o cold deck que tive.

Dia seguinte, regresso às mesas. Voltamos a deixar o carro no parque do casino (é um pouco caro, mas também não há grande alternativa) e eram umas 8 horas quando nos preparámos para uma sessão que só devia acabar perto das 4 da manhã, com direito a paragem para jantar. Infelizmente o 5/10 não abriu neste segundo dia, o que fez com que houvesse mais regs em NL500. As mesas eram diferentes, sem um big drooler durante a maior parte do tempo mas com 4-5 jogadores weak-tight-maus. Nas primeiras horas tive muitas mãos fortes que nunca ganharam potes, fiz meia dúzia de lay-downs de qualidade internacional e estava a chegar ao ponto em que começava a ficar PARANOIDDDD pelo que parei para jantar (cozinha do casino de Barcelona: aprovada!) e quis jogar meia hora de NL200 pa voltar a ganhar confiança. Só que - MEU DEUS - NL200 tem buy in máximo de 100€. Tiveram de me explicar 3 vezes - a última em inglês - porque eu não queria acreditar no que estava a ouvir. Mas era verdade.

Pus o meu nome na waiting list para 2/5 e joguei 20 minutos em NL200 até ser chamado. E voltei a ter esperança. Raises isolacionais sobre limps pa 10bbs levam 5 calls; um open pa 3 bbs utg leva 7 (7!!!) calls. T3s é um insta-call no botão com menos de 20 bbs. E defender 2º par sobre a linha mais forte do mundo é pretty standard. Sério? E isto tudo com 50bbs stacks? Sério que isto não é play money? A curta passagem por esta mesa fez-me lembrar tudo o que vi no Austrália durante o Aussie Millions, com pessoas a defenderem rei alto três streets ou a jogarem para stacks de 3º par. Bons tempos.

Mas 50bbs não é comigo e voltei para 2/5. Tentei não inventar muito, acho que não fiz uma única bet que não fosse por valor (embora algumas 3b pré tenham sido, vamos dizer assim, thins) e estava bem up quando joguei o maior pote da minha vida.

Depois de 6 limps tenho KK na BB e raiso pa 35. Incrível ou não levo call do UTG, do CO (que estava mais interessado no jogo que tinha a correr no Iphone do que no poker em si), do BTN e da SB. Isto vai acabar mal. Ou não, quando o flop é KJ4r. Ou então nunca na vida vou tirar valor de nada porque nunca ninguém tem nada para defender. Whatever. Cbet meio pote, UTG shove, CO shove, btn vai para o tanque. OMG OMG OMG... BTN fold o seu oesd (depois disse que se soubesse que eu dava o call trinha dado o call porque tinha o preço certo 4way)... Eu call e depois de ver o turn 7 e river 4 começo a recollher o pote quando o CO larga o Iphone e vira 44 para rivered quads. WOW, sério? E assim se perde um pote de 1.3K para um out. E se odeia a vida. Que se lixe.

E partimos rumo a Castellon, para jogar o Spanish Poker Tour.
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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

0 Una semana en España

Pois é, na terça-feira eu e o Mike arrancamos para Espanha rumo ao SPT Castellon... e não só. Mas vamos por partes.


Setembro começou com um misto de emoções, porque ao mesmo tempo que ganhava no Casino Estoril o satélite de 330€ para o PartouchePoker Million Portugal, tinha quase a certeza que não ia poder jogar o torneio. Depois de várias horas na mesa, e de um bubble onde as emoções foram de cortar à faca, lá consegui o ticket de 3.300€... que tive de vender.


Porquê? Porque nesta altura já estava tudo planeado para uma semana em Espanha, não só a jogar o evento para o qual já tenho entrada, mas também para ficar a conhecer os casinos e os cash games da região da Comunidad Valenciana...


Para já, a única certeza é que vamos estar em Castellón entre 19 e 22, ou seja, entre o super-satélite e o fim dos torneios – o que pode ou não incluir o torneio de encerramento (depende da prestação no evento principal) e o torneio de satélite para a próxima etapa do SPT (depende mais do field do que outra coisa qualquer).


Como tivemos o cuidado de escolher o hotel também em função da variante Internet, é muito provável que ao longo dos próximos dias venham a ter notícias nossas aqui no blogue... Fiquem atentos!
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terça-feira, 10 de agosto de 2010

1 SHIP ON THE SHIP


Boas pessoal,

Na última semana foi fazer o meu primeiro cruzeiro, o navio foi o Advanture of the seas da Royal Caribean.

A minha rota foi: saída em Málaga, Cagliari, Roma, Ajaccio, Palma de Maiorca e de volta a Málaga.

Esta "cidade" flutuante de 15 andares tem tudo e mais alguma, como uma pista de patinagem com gelo, escalada, discoteca, piscinas, ginásio e... Casino com Poker!!!! :)

Os cash games eram NL200 - deviam ter sido NL500, mas como não houve jogadores suficientes decidiram baixar as stakes.

O rake era de 10% com um cap de 10$, e no Pre Flop a acção era raikada. Mesmo com estas taxas sem sentido os jogos eram muito bons, e em média 8 jogadores "recreacionais" na mesa. Acabei por bater os jogos com facilidade, mas devido a um coller (QQ vs AA na sb vs bb), a uma bad beat em que tinha 78s vs A4o all in num flop A77,(turn X, river..A), e ao facto de ter ido com a família e por isso ter jogado pouco, apenas trouxe 100$ dos cash games.

Em termos de torneios havia um diário de 75$ com rebuys e add on de 40$, sendo que as blinds subiam de 10 em 10 minutos, ou seja um hyper turbo. Quem ganhasse um destes torneios passava para a final no ultimo dia do cruzeiro. Para compensar os cash games estes torneio não tinham rake, não percebo o porque de reikar estupidamente o cash e depois não ter rake nos torneios mas enfim...

Arrancaram apenas cinco torneios de qualificação, e se a malta do cash era muito "recreacional", a dos torneios era hyper "recreacional"; participei em dois e ganhei o segundo. Na final éramos cinco e pagava a três, fiquei em segundo e ganhei 720$.

Feitas as contas ainda trouxe uns 600$ de lucro do que supostamente seriam férias do poker.

Abraços


 


 


 

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sábado, 31 de julho de 2010

0 NL4 Hand review

Como acho a ideia de dar coaching engraçada, decidi aceitar a proposta que me fizeram para ajudar alguém que joga NL4. O objectivo passa por fazer uma session review, para ajudar a pessoa a perceber alguns erros básicos e para me ajudar a mim a perceber as suas linhas/porque segue determinados padrões, antes de fazer uma sweet sesion.

Já que lá fora (do poker) sou jornalista na imprensa escrita, o mais fácil para mim é fazer esta review em formato texto... e acabei por gostar tanto da experiência, que decidi deixar aqui algumas das mãos e ideias que fazem parte dessa review, para ajudar outros jogadores que estejam a jogar microstakes.Não são todas as mãos, mas dá para ter uma ideia de algumas das lacunas frequentes entre quem começa a jogar.

Como vou fazer isto totalmente de borla com pelo menos uma pessoa, caso estejam interessados em servir de "cobaias" deixem um comentário no final do post. Passando ao que interessa:




(procurar aqui por implied odds. É um conceito que também vais usar quando tiveres de fazer calls em draw no flop e turn)


Sim, agressividade e raisar e ter iniciativa é importante – aprendemos isso em todos os livros e em todo o lado. E é verdade. Mas vamos parar para pensar: temos uma mão que só pode flopar um top pair e mesmo assim com um kicker mau, mas que flopa muitos projectos. Ora, este tipo de mãos jogam bem com um racio pote-stack grande (quanto maior, melhor), e quando já temos um jogador fraco no pote, com este tipo de mãos, queremos incentivar outros jogadores fracos a juntarem-se à festa. Assim, este é um bom spot pa jogar de maneira passiva e fazer apenas call (isto aplica-se à maioria dos suited connecters, small PPs e aces suited até 5, quando já há dois ou mais calls - é preferível juntarmo-nos à festa e fazer apenas call, porque estas mão têm boas implied odds, ou seja, querem jogar potes pequenos com stacks grandes atrás).


Passando ao flop, em NL4 vão continuar-te a presseguir todo o tipo de draw, há flush draws e muitos combos de pair+gutshot. Em prencípio se estiveres atrás, neste board tão “feia”, eles vão logo dizer-te – assim podes apostar maior no flop para fazer bet/fold.

No turn, podia ser melhor mas não deixa de ser muito bom: dois pares! E tendo em conta que estamos à espera que dois pares provavelmente raisam este flop para se protegerem dos draws, estamos à frente quase sempre (a única mão legítima que nos bate é um flush) – e podemos valuebettar todos os Ax. APOSTA MAIOR!!!! Ainda é um bet/fold to raise, mas aposta 2/3 do pote, algo à volta de 1.20, se fores raisado aí sim, foldas.


Qual é que é o objectivo do c/r flop? Porque estás a meter-te num spot em que quase tudo o que são mãos melhores continuam na jogada, mas as piores foldam. Se saires a apostar neste flop ainda vais ser pago por todos os PPs e por muitos Ax – sai a apostar, folda se te raisam, volta a apostar turn se levares call.

O exercício que tu, que jogas com holdem manager, tens de fazer é: que tipo de mãos é que um 28/19 vai ter aqui? Eu de repente diria que ele tem muitos combos de cartas altas (Ax, KT+...), e que uma série delas são mãos piores que vão fazer call. Depois, tens de saber usar outra stat: fold to flop cbet (45%), ou seja ele não desiste facilmente das mãos. Assim, juntando as duas coisas, ele tem uma série de mãos piores que a tua que vai continuar a defender - e daí isto ser um spot para bettar. Num eventual turn, vs. o 28/19 é outra vez bet/fold.


Parabéns! Acabaste de flopar top pair top kicker contra um fish! Agora o teu objectivo é jogar por stacks, não fazer check no turn (com medo do quê? Nem sequer se completou nenhum draw...). TOP PAIR + FISH = BET BET BET!!! Em algumas situações tens de saber fazer bet/fold (o que contra o fish às vezes é difícil), mas aqui nem é o caso -  só tens de continuar a apostar e fazer figas para que as fichas acabem todas no meio .
Nesta mãos se apostares .45 podes shovar o turn contentissimo da vida (mais uma vez: manter sempre o olho nas staks envolvidas para ajudar a definir o valor das nossas apostas).

Não. Se tens um villian 46/6, este é provavelmente o pior flop do mundo. Porque ele tem quase quase sempre um par que te vai defender até à morte (aka stack). O standard neste spot é outra vez algo entre o check/fold e o bet/fold. Eu vou mais para a segunda, porque em NL4 se não estás a apostar por valor, então alguma coisa está errada.
Posso perceber a tua jogada (apesar  de duvidar que seja necessário fazer um call uma street em NL4 de as alto...) mas NUNCA nesta board. Chegado ao turn, vais dizer-me que estás a tentar bluffar um fish? É isso? Vou dizer-te um segredo: não tentes bluffar um fish, a não ser que tenhas reads mui mui fortes. E mesmo assim, é má ideia (não imaginas as staks que isto me custou a aprender...).

Conclusões:
Tens problemas nos sizings. Tens de rever isso. Apostar sempre pelo menos 2/3 do pote, salvo spots muito muto especificos – e se não sabes que spots são esses, aposta sempre 2/3 do pote.
És demasiado tricky. Esquece os c/r, esquece os c/c flop pa donkar o turn em cartas manhosas. Joga straightforward, vai apostando quando tens mão e check/fold (ou bet fold uma street) quando não tens. Podes usar o c/r, mas tens de saber claramente porque é que os estás a fazer (o que eu duvido nas mãos do TT e do 22).
Pareces ter medo de jogar o river. Continua a apostar 2/3 do pote no turn com overpairs e monstros como regra geral, guarda os shoves para situações muito específicas. Até perceberes quais são, vai apostando 2/3 do pote sempre.
Tens dificuldade em extrair valor. Tens TP com K kicker ou algo do género, um overpair, ou simplesmente uma mão melhor do que o range de maãos dele? APOSTA! Se tens mais mãos como aquela do AQ em que não apostas turn ou river com TPTK ou melhor, estás a deixar dinheiro na mesa.

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quarta-feira, 21 de julho de 2010

2 Estratégia pre-flop - 3 bet (part 2)


Boas pessoal,

O nosso blogue tem cada vez mais visitantes, e isso dá-me motivação extra para postar.

No meu último post acabei com noções básicas sobre a construção do nosso random range de 3bet - se não o leram recomendo que voltem atrás para dar uma vista de olhos. Já neste texto vou escrever sobre os factores que modificam o meu range de 3bet.

Antes de começar vou deixar mais uma vez um gráfico que saquei do livro do balluga para facilitar o acompanhamento do post.



Também queria deixar duas definições que acompanham sempre ranges e poker.

Range polarizado em 3bet – É um range em que jogamos as nossas premiums e os nossos pure blufs/low; quanto mais polarizado está o nosso range mais curto é o nosso range de premiums e maior é o nosso range de bluff/low. Isso implica que parte do nosso range de premiums passa a ser jogado em call.

Range despolarizado em 3bet – É um range em que jogamos não só as nossas premiums mas também o topo das nossas medium hands; quanto mais despolarizado mais mãos temos no nosso medium range quando damos 3bet. Isso implica que parte do nosso calling range passe a fazer parte do nosso 3bet range.


Quanto a mim há duas informações principais em que eu me baseio para modificar o meu range de 3bet:  

  1. Posição
Quanto melhor a nossa posição na mesa mais combinações de mãos vamos poder jogar - quer em call, quer em 3 bet bluff. A razão para isto é que durante toda a jogado vamos sempre actuar por último.

Exemplos:

QTs no botão vs CO open é uma medium hand, ou seja, está no meu calling range e não no meu 3bet range. Já na sb pode ser uma combinação com que dou 3bet visto ser difícil jogar esta mão em call e tem os tais blockers com o Q e T.


2. Acção do vilan vs 3bet

        2.1 Folders – São jogadores que foldam demasiado à 3bet. Quanto mais foldarem mais quero polarizar o meu range.

        2.2 4betters – São jogadores que dão demasiada 4bet. Quanto mais tendência para 4bet tenham mais quero polarizar o meu range, e jogar ou pocket pairs com a intenção de dar 5 bet shove, ou o topo das minhas premium para dar call à 4bet em posição.

        2.3 Callers - São jogadores que dão demasiado call à 3bet. Contra estes jogadores quero despolarizar o range visto haver mais flops, e por isso quero ter combinações de mãos que flopem melhor. A posição tornasse um factor mais importante. Assim, quero aumentar a minha frequência de 3bet em posição e diminui-la fora de posição.

Exemplo:

Hero tem AQ na sb, villian abre no CO. Stacks 100bb com abertura de 3.
Folders - quero dar call para manter as mãos dominadas em jogo;
4 betters - depende: se for muito 4 better, dou 3 bet com intenção de 5 bet shovar; contra um 4 betters não maníaco dou call;
Callers - dou 3 bet por valor visto o villian fazer call com mãos piores.  

Abraços, qualquer coisa têm sempre a caixa de comentários.

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sexta-feira, 16 de julho de 2010

1 Adeus dowswing!

No último post falei que não existia sorte ou azar, mas sim dowswings. Faltou dizer como ultrapassar esses dowswings:

1)Parar. Tão simples, e ainda assim ninguém faz isto. Um stop-loss agressivo é a melhor maneira de evitar dias em que se perdem muitos buy ins seguidos. No cash, e para um jogador recreacional, podem ser 2 buy ins, para um pró que jogue 20 mesas podem ser 10 – a ideia deste stop-loss é evitar percas muito grandes causadas pela frustração e outros sentimentos menos positivos, sentimentos que regra geral os próprios jogadores não conseguem identificar.

2)Jogar menos mesas. Esta é outra daquelas que também deve ser fácil de implementar e ajuda mesma: com e massificação do Holdem Manager e do Poker Tracker, todos temos a mania que podemos jogar 10 mesas como se isso fosse a coisa mais natural do mundo – basta saber o PFR e o VPIP dos adversários para saber se este é um fish ou um reg. WRONG!!! O HM não vai ajudar ninguém a perceber que tipo de mãos é que cada jogar está a jogar em cada spot, nem a interpretar os sizings dos adeversários, nem permite jogar com as timing tells, nem perceber quem é que pode estar em tilt porque acabou de levar uma grande bad bet… Ainda assim, em alguns casos jogar muitas vezes compensa. Mas para lidar com um dowswing nada como reduzir o número de mesas e concentrarmo-nos numa quantidade destas que nos permite conhecer muito melhor cada um dos jogadores…

3)Escolher melhor os jogos. Jogar apenas mesas em que existem “jogadores recreacionais”, e tentar escolher as mesas em que temos posição sobre eles, evitando as mesas que estão infestadas de jogadores regulares. Também é importante conhecer bem a qualidade dos jogadores regulares (aka “saber explorar os weak regs”) e ter sempre debaixo de olho as stack sizes dos “jogadores recreacionais” – não serve de muito estar na mesa com 2 “jogadores recreacionais” se cada um deles só tem 10bbs…

4)Descer de limites. Esta é provavelmente a mais difícil de fazer, mesmo para quem leva o poker a sério. No meu caso, ainda há dois ou três meses desci de limites mesmo depois de ser ganhador ao fim de 150k mãos – mas teve de ser. Esta é uma regra difícil de seguir porque o nosso ego entra em jogo, mas descer de limites deve ser algo que todos devemos estar dispostos a fazer, não só para proteger a nossa banca como para nos ajudar a re-ganhar confiança.

5)Sessões mais curtas. Regra geral, ao fim de algum tempo em frente ao computador ficamos cansados, por mais que estejamos habituados a fazer sessões longas. Sessões mais curtas aumentam a quantidade de tempo que jogamos focados e perto do nosso 100%, reduzem a possibilidade de ficarmos frustrados e entrarmos em tilt. Mesmo quem queira continuar a jogar sessões longas deve aumentar a quantidade de pausas e a duração das mesmas.

6)Menos emoções. As emoções não têm nada a ver com o nosso melhor jogo, por isso parar imediatamente quando estas estão a tornar-se importantes na tomada de decisões é fundamental. Algumas das emoções que sinalizam a necessidade de parar imediatamente são o cansaço, a tristeza, a frustração, a raiva e o desespero. Durante o dowswing queremos jogar 100% concentrados no nosso jogo, por isso devemos eliminar completamente o álcool e as drogas. Se, por algum motivo em algum momento alguém se engana a ler a sua mão, provavelmente o melhor é parar porque provavelmente não está verdadeiramente focado no jogo.

7)Trabalhar longe das mesas. Apesar de o devermos fazer sempre, quando estamos num dowswing devemos reduzir o tempo jogado, aumentado o tempo gasto a estudar o jogo. Algumas das boas práticas incluem ler livros de poker, fóruns como o 2+2, vídeos dos sites como o leggo poker ou o deuces cracked e, acima de tudo, rever cuidadosamente as nossas sessões, tentando perceber onde é que estão os nossos erros – se é que eles existem. Partilhar algumas mãos com amigos ou conhecidos que joguem os mesmos jogos (ou parecidos) também é uma óptima maneira de trabalharmos o nosso jogo durante o downswing, assim como arranjar sweat seasons.

Simples, não é? Agora está na altura de usar todas estas ideias nas mesas...
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terça-feira, 13 de julho de 2010

0 A Sorte não existe

Pois é, não se já alguém vos tinha dito, mas isto é mesmo verdade… No poker não existe sorte nem azar. No longo prazo os jogadores ganhadores serão sempre ganhadores, e os perdedores sempre prededores. Agora, há uma coisa que é fundamental perceber para quem quer levar este jogo a sério: o longo prazo.

Para a maior parte dos jogadores, longo prazo é uma semana ou um mês. Só que esta definição de longo prazo está errada, na medida em que o longo prazo é algo que tem a ver com a quantidade de mãos/torneios jogados, e nunca com espaços temporais. Assim, jogar 20k mãos de cash games não tem nada a ver com longo prazo, na mesma medida em que jogar 100 torneios on-line não tem absolutamente nada a ver com uma ideia do que é o longo prazo.

Assim, quem “sofre” com dowswings de 10 ou 20 buy ins não está preparado para levar o poker a sério: pode continuar a jogar o poker de uma maneira recreacional, pode convencer-se que percebe muito disto, mas nunca para levar o poker de uma maneira profissional. Há exemplos nos sngs de jogadores ganhadores em amostras grandes que perderam ao fim dos últimos 500 jogos, e que estão só a passar por um downswing. Sim, 500 jogos não são uma amostra tão boa quanto isso. E nos cashgames eu tenho resultados muito positivos em 300k mãos de NL100, mas ainda assim tenho swings de pelo menos 20 buy ins todos os meses. Todos os meses.

Mais complicado ainda é o facto de ser possível jogar optimamente e perder dinheiro nas mesas; e jogar pessimamente ganhando dinheiro. Mas como sobreviver a um daqueles dias em que se joga bem durante horas e se perdem buy ins consecutivamente? E quando isso dura semanas?
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segunda-feira, 5 de julho de 2010

2 Estratégia pre-flop - 3 BET


Boas pessoal,

Como já tinha escrito num post anterior vou postar uma série de textos sobre estratégia, mais concretamente estratégia Pre-flop(pf).

Visto o Lord ter começado a escrever uma série sobre os ranges para abrir e dar call, decidi começar pela 3bet.

Neste post parto do princípio sempre que estamos e vamos ficar HU com o vilan.

3BET

Definição

Uma 3bet em pre flop, é o nome que se dá a um raise sobre uma aposta de alguém que tenha aberto a acção pre flop, ou seja é um re-raise preflop.

Porquê dar 3bet?

Há duas razões para fazer uma 3bet:

  • por valor, quando o adversário tem combinações de cartas inferiores e nós que queremos meter mais dinheiro no pot;
  • e em bluff, quando o adversário tem combinações de cartas superiores e queremos que ele fold.
Considerações sobre um 3bet pot

  1. O rácio entre o pot e as stacks é menor, por isso as combinações chamadas preety hands perdem valor (76s, 89s, etc) e as cartas com broadways ganham valor (AK,KQ etc);
  2. Os ranges das mãos involvidas são menores;
  3. Os jogadores não variam tanto as suas linhas.
Com que cartas dar 3bet?

Esta é uma pergunta em que a resposta é a mais típica do poker- DEPENDE!!!!

Em primeiro lugar temos que construir o nosso range de valor e o nosso range de bluff.

Duas regras básicas a serem seguidas para a construção do nosso range:

  • Valor: cartas que vamos stackar, ou seja que estamos preparados para ir all in (AA,KK,QQ,AK...)
  • Bluff: cartas em que sabemos que não são +EV dar call (A7, K9,QT), que contenham blockers


Nesta imagem podemos ver um espepectro de mãos em que as premium seriam as combinações de mãos no nosso range de valor, as medium as combinações para o nosso calling range e as low seriam as mãos que foldamos. O topo do range das low que contenham blockers sãos as combinações perfeitas para dar 3bet.

Um blocker é uma carta que por estar na nossa mão ou na board não pode estar na mão do vilan. Assim, por exemplo, se dermos 3bet com A2o, e o vilan só prossegir com QQ++ e AK, a probablidade de ele ter essas combinações desce 20% por termos um Ás na nossa mão.

No próximo post vou falar em como o nosso range se modifica dependo do vilan.



 


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quinta-feira, 1 de julho de 2010

0 Live at Estoril Poker Open 6ª etapa

Sexta-feira lá fui eu até ao Estoril para jogar o torneio de 300€ também conhecido como “etapa especial”, para o qual decorreram vários satélites e onde um field a rondar os 160 jogadores disputaram o primeiro lugar e os 12.634€ para ele reservados. 20k fichas iniciais, níveis de uma hora, estrutura de sonho, field supostamente também.

Os satélites são algo que eu não tive a oportunidade de jogar, mas que me foram vendidos por várias pessoas como sendo algo muito acessível, imperdível mesmo, e por um valor de 50€ é possível ganhar uma entrada para um torneio de prizepool a rondar os 50.000€. Aconselho toda a gente que queria jogar um torneio ao vivo a experimentar estes, e caso não saibam como se joga um super-satélite eu dou umas dicas: é o local onde foldar AA pré-flop pode ser algo mais ou menos normal. Estranho? Leiam o Kill Everyone, um livro que já esteve mais na moda mas que ainda considero essencial para quem quer jogar torneios “a sério” (especialmente live), sendo que assim de cabeça posso dizer que o The Poker Tournament Formula também tem um capítulo sobre o assunto.

Posto isto, posso dizer que o evento não era aquilo que me tinham “vendido”, achei demasiadas pessoas nas mesas que sabiam o que estavam a fazer, outras que embora pensantes eram exploráveis, e apenas uns quantos “jogadores recreacionais”, que só apanhei nas mesas no segundo dia… e não tive a sorte de ficar com nenhumas das fichas destes jogadores. Estive sempre entre as 25k fichas e as 30k, nunca consegui descolar (mas também nunca inventei muito)… a única vez em que fui all in tinha trio de damas, a melhor mão possível, e perdi para um flush draw, mas faz parte e nada como seguir em frente. Do que vi ao longo do torneio 3bets e calls a raises com mãos só para roubar pós flop e invenções em sítios que deviam ser jogados straightforward são algo relativamente normal, e nunca ninguém aposta o river com menos de dois pares… Posso dizer que este último ponto tinha dado jeito ao longo do torneio, já que perdi uma bet a mais em dois ou três potes.

Fiquei um pouco chateado com a postura de alguns dos melhores jogadores, podem ser muitos sólidos no que toca a poker mas têm de aprender muito em relação a postura na mesa, a table talk e a ser correctos para com os jogadores mais fracos… Não tive problema em dizer a alguns que achei um erro brutal da parte destes (e que deveriam ver isso para o futuro) chamar fish ao “jogador recreacional”, ser arrogantes para com este tipo de jogadores, ou festejar bad bets.

Já o torneio de encerramento, um freezout de 100€, teve o field mais soft que alguma vez vi num torneio ao vivo. Perdi QQ>AQ e fiz all in nas 7 mãos seguintes (literalmente) em spots mais ou menos standard (lol tenho um ás e duas blinds, SHOVE!!!!) e ninguém percebeu o que é que se estava passar, quando era tudo jogo de short stack completamente standard. Apesar de não gostar muito do livro, volto a recomendar o The Poker Tournament Formula para este tipo de estrutura, juntamente com um jogo de -10bbs muito forte – eu joguei uns 20k sngs antes de me dedicar aos cashgames, logo sei mais ou menos os calling e shoving ranges padrão. Basicamente deu para me lembrar porque é que os torneios de quarta-feira no Estoril são tão bons e imperdíveis…

Como nota lateral, os SNGS live. Eu sempre me ri da ideia de jogar um sng live, mas depois de tanta insistência decidi experimentar, e fiquei viciado. Paguei o torneio principal e o side event a jogá-los, e se alguém me está a ler e tem noção básica de sngs e gosta de jogar poker live e de dinheiro, acho que tem de ir ao Estoril nos dias em que abrem sngs. Basicamente não vou falar de estratégia para sngs aqui, mas posso dizer que todo o ABC do on-line se aplica (e resulta)!

Assim, se eu já achava que todos os torneios no Estoril são obrigatórios, este fim-de-semana só veio reforçar essa ideia. E nas próximas semanas vou jogar os satélites para o torneio Partouche que vai haver no Verão…
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